No Dia Internacional dos Migrantes de 2024, a AVSI destaca a crise de refugiados e migrantes venezuelanos, sendo um dos maiores eventos de deslocamento da história recente, com mais de 8 milhões de pessoas deixando o país até 2024 devido ao colapso econômico, instabilidade política e falta generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos.
Entre os principais destinos desses refugiados e migrantes está o Brasil, um país vizinho que tem desempenhado um papel fundamental no atendimento às necessidades da população venezuelana. A resposta do Brasil à essa crise humanitária é uma história de compaixão e também de enormes desafios. Até o momento, o Brasil recebeu mais de 500 mil pessoas venezuelanas, muitos entrando pelo estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela. A cidade de Pacaraima, em particular, tornou-se um ponto de entrada fundamental para milhares de refugiados que chegam todos os meses em busca de segurança e oportunidades para uma vida melhor.
Refugiados e migrantes venezuelanos: quem são?
O perfil dos refugiados e migrantes venezuelanos que entram no Brasil tem mudado ao longo dos anos. Inicialmente, muitos dos que deixaram a Venezuela tinham algum recurso econômico. Geralmente, eles eram profissionais e indivíduos da classe média. No entanto, à medida que a crise se aprofundou, populações mais vulneráveis também começaram a sair do país. Hoje, a maioria dos venezuelanos que chegam ao Brasil precisa de serviços de proteção social. Muitos são famílias com crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas que necessitam urgentemente de atendimento médico.
O Brasil recebe uma média de 12 mil refugiados e migrantes venezuelanos por mês, tornando-se um dos principais países receptores da região. A expectativa é que o fluxo continue, aumentando a pressão sobre os recursos e serviços do Brasil, especialmente em regiões do norte como Roraima, onde a infraestrutura é limitada.
Para aliviar parte da carga em Roraima e facilitar a integração dos venezuelanos para sua nova vida no Brasil, o Governo Federal estabeleceu uma resposta única e ordenada, a “Operação Acolhida”. Lançada em 2018, a Operação Acolhida é um esforço humanitário multifacetado que fornece alimentos, cuidados médicos, assistência jurídica e abrigo aos refugiados e migrantes ao entrarem no Brasil. A operação também enfatiza um componente-chave para a integração: a realocação, ou “interiorização”, que ajuda os refugiados e migrantes a se mudarem de regiões de fronteira superlotadas para outras partes do Brasil, onde têm maiores oportunidades de acesso a empregos e serviços.
Uma das formas pelas quais a Operação Acolhida auxilia os venezuelanos a se mudarem para destinos mais permanentes no país é por meio da modalidade de interiorização por Vaga de Emprego Sinalizada (VES), na qual uma empresa em outro estado contrata formalmente uma pessoa venezuelana que vive em Roraima. A AVSI Brasil foi uma das pioneiras dessa modalidade. Em 2018, a AVSI Brasil fez parceria com uma empresa em Salvador, na Bahia, para contratar e realocar 12 venezuelanos e suas famílias. A AVSI ajudou na integração em Salvador, conectando os refugiados e migrantes a moradia, escolas e serviços de saúde, além de mediar a relação com o empregador.
Esse piloto bem-sucedido chamou a atenção tanto do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) quanto do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos EUA, que, no final de 2019, aprovou o financiamento para um novo projeto em larga escala chamado “Acolhidos Por Meio Do Trabalho”.
O programa Acolhidos Por Meio Do Trabalho é implementado pela Fundação AVSI, AVSI Brasil e o Instituto Migração e Direitos Humanos (IMDH), com financiamento contínuo do PRM. Nos últimos cinco anos, o projeto facilitou a contratação formal de quase 2 mil migrantes e refugiados venezuelanos, bem como serviços de proteção social e integração para suas famílias. O projeto também levou à criação do centro de acolhida Casa Bom Samaritano em Brasília, uma espécie de abrigo intermediário para famílias em processo de integração na área do Distrito Federal (DF).
Assista ao vídeo criado para o Dia Internacional dos Migrantes 2024
A crise de refugiados e migrantes venezuelanos está longe de terminar.
A resiliência das famílias venezuelanas, juntamente com a generosidade do povo brasileiro, está ligada ao desenvolvimento dessas histórias. Embora os desafios sejam imensos, a esperança por um futuro melhor continua a impulsionar tanto os migrantes e refugiados quanto as comunidades que os acolhem. Diante da adversidade, a abordagem do Brasil à crise oferece um modelo de solidariedade e humanidade, demonstrando que, com o apoio e as políticas certas, migrantes e refugiados podem não apenas sobreviver, mas prosperar em seus novos lares.
Por meio de uma série de imagens íntimas, o fotógrafo Matteo Bastianelli, com a Fundação AVSI e AVSI Brasil, capturou momentos-chave das jornadas dos refugiados e migrantes – desde sua chegada a cidades fronteiriças como Pacaraima, no estado de Roraima, até suas experiências em abrigos, centros de treinamento e na integração à sociedade brasileira. As fotografias focam em histórias pessoais de dificuldade e sobrevivência, capturando temas como deslocamento, apoio comunitário, adaptação e a busca pela dignidade por meio do trabalho e da educação.
Atividades de formação profissional para refugiados venezuelanos em um centro em Boa Vista, no estado de Roraima. O programa “Acolhidos por Meio do Trabalho”, implementado pela AVSI Brasil, concentra-se no emprego como caminho para a integração de longo prazo, proporcionando aos refugiados venezuelanos formação profissional e oportunidades de emprego. Atividades de formação profissional para refugiados venezuelanos em um centro em Boa Vista, no estado de Roraima. O programa “Acolhidos por Meio do Trabalho”, implementado pela AVSI Brasil, concentra-se no emprego como caminho para a integração de longo prazo, proporcionando aos refugiados venezuelanos formação profissional e oportunidades de emprego. Maria Cedeno e Idelma Ramos, duas refugiadas venezuelanas, retratadas em um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. Um refugiado venezuelano jogando futebol em um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. Refugiados venezuelanos fazendo fila para distribuição de refeições em um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. A entrega de ajuda humanitária a refugiados venezuelanos dentro de um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. O estado de Roraima, localizado bem na fronteira, tornou-se um importante ponto de entrada para milhares de refugiados que chegam todos os meses em busca de segurança e oportunidades de uma vida melhor. Mariella, Lucila e Maria retratadas junto com seus filhos em um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. A crise dos refugiados venezuelanos é um dos acontecimentos migratórios mais significativos da história recente, com mais de 8 milhões de pessoas a abandonarem o seu país, impulsionadas pelo colapso económico, pela instabilidade política e pela escassez generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos. A entrega de ajuda humanitária a refugiados venezuelanos dentro de um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. O estado de Roraima, localizado bem na fronteira, tornou-se um importante ponto de entrada para milhares de refugiados que chegam todos os meses em busca de segurança e oportunidades de uma vida melhor. Daiselys Margarita Marin Gonzalez, 64 anos, retratada em um campo de refugiados na cidade de Pacaraima, Brasil. A crise dos refugiados venezuelanos é um dos acontecimentos migratórios mais significativos da história recente, com mais de 8 milhões de pessoas a abandonarem o seu país, impulsionadas pelo colapso económico, pela instabilidade política e pela escassez generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos. Uma estação de recarga para celulares de refugiados venezuelanos dentro de um campo de refugiados em Pacaraima, Brasil. Refugiados venezuelanos recebendo informações na entrada de um campo de refugiados na fronteira de Pacaraima, Brasil. Mãe e filha aguardam para cruzar a fronteira entre Venezuela e Brasil, na cidade de Pacaraima. Roraima, o estado mais ao norte do Brasil, tem visto um influxo significativo de imigrantes venezuelanos desde 2018. Todos os meses, cerca de 12.000 refugiados venezuelanos entram no Brasil, obrigados a deixar seu país devido ao colapso econômico, instabilidade política e escassez generalizada de alimentos, remédios e serviços básicos. Vista aérea da fronteira entre Brasil e Venezuela, na cidade de Pacaraima. A crise dos refugiados venezuelanos é um dos acontecimentos migratórios mais significativos da história recente, com mais de 8 milhões de pessoas a abandonarem o seu país, impulsionadas pelo colapso económico, pela instabilidade política e pela escassez generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos. Entre os principais destinos destes refugiados está o Brasil, um país vizinho que tem desempenhado um papel crucial na resposta às necessidades dos migrantes e refugiados venezuelanos. Duas longas filas de bagagens pertencentes a refugiados venezuelanos cobertas com papelão para protegê-los das chuvas repentinas que ocorrem com frequência na cidade de Pacaraima, no estado amazônico de Roraima, Brasil. Algumas pessoas fazem fila para receber serviços sanitários na fronteira de Pacaraima, no Brasil, onde cerca de 12 mil refugiados venezuelanos chegam todos os meses, obrigados a deixar seu país devido ao colapso econômico, à instabilidade política e à escassez generalizada de alimentos, remédios e serviços básicos . Pessoas fazem fila para iniciar o processo de identificação, vacinação e emissão de documentos na fronteira de Pacaraima. O Brasil, por meio de sua “Operação Acolhida”, lançada em 2018, implementou uma resposta humanitária destinada a receber, abrigar e integrar refugiados e migrantes venezuelanos. A operação fornece alimentação, cuidados médicos, assistência jurídica e abrigo aos refugiados à medida que entram no país. Fronteira entre Brasil e Venezuela, na cidade de Pacaraima. Por meio da “Operação Acolhida”, lançada em 2018, o Brasil tem fornecido uma resposta humanitária destinada a receber, abrigar e integrar refugiados e migrantes venezuelanos, oferecendo alimentos, assistência médica, apoio jurídico e abrigo aos refugiados em sua entrada. para o país. Dois venezuelanos estão prestes a cruzar a fronteira na cidade de Pacaraima, Brasil. Com mais de 8 milhões de venezuelanos já deslocados em todo o mundo, espera-se que o influxo continue, colocando uma pressão crescente sobre os recursos e serviços do Brasil, especialmente nas regiões do norte, como Roraima, onde a infraestrutura é limitada.lans are about to cross the border in the town of Pacaraima, Brazil. With over 8 million Venezuelans already displaced globally, the influx is expected to continue, placing increasing pressure on Brazil’s resources and services, especially in northern regions like Roraima, where infrastructure is limited. Refugiados venezuelanos na fronteira da cidade de Pacaraima, Brasil. O estado de Roraima, localizado bem na fronteira, tornou-se um importante ponto de entrada para milhares de refugiados que chegam todos os meses em busca de segurança e oportunidades de uma vida melhor. Hundreds of Venezuelan refugees waiting to cross the border between Venezuela and Brazil, in the city of Pacaraima. The Venezuelan refugee crisis is one of the most significant migration events in recent history, with over 8 million people leaving their country, driven by economic collapse, political instability, and widespread shortages of food, medicine, and basic services. Mãe e filho caminham para cruzar a fronteira entre a Venezuela e o Brasil, na cidade fronteiriça de Pacaraima. Com mais de 8 milhões de venezuelanos já deslocados em todo o mundo, espera-se que o influxo continue, colocando uma pressão crescente sobre os recursos do Brasil
Dia Internacional dos Migrantes 2024
O dia 18 de dezembro marca o Dia Internacional dos Migrantes, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2000 para aumentar a conscientização sobre os direitos dos migrantes e promover a inclusão e a integração sem discriminação.